
Chegou a vez de Montes Claros homenagear um dos maiores e mais expressivos artistas plásticos da geração de 1960/1970: o norte-mineiro Ray Colares. A Secretaria Municipal de Cultura e a Associação dos Artistas Plásticos de Montes Claros, traz a coletiva “Modernidade”, tema que consagrou o artista, em 1988, entre os 20 melhores do mundo.
Segundo o secretário municipal de Cultura Ildeu Braúna, a mostra reúne obras dos artistas plásticos da cidade, através de pinturas em tela, sobre alumínio ou madeira. “São desenhos, esculturas, instalações, artesanato, várias formas de criação que lembram Ray e sua visão libertária e ampliada do mundo”, relatou o secretário. Nesta sexta-feira, primeiro de abril, acontece a abertura na Galeria Godofredo Guedes, do Centro Cultural Hermes de Paula, que permanece em exposição até dia 24 de abril.
Exposição também acontece no Rio
Aproveitando a data, o Museu da Arte Moderna do Rio de Janeiro, abriu na terça-feira, 29, a exposição Raymundo Colares - Poética Pop. A última grande mostra do pintor em terras cariocas foi em 1997. São 38 obras mapeando a produção do artista ao longo dos anos de 1960, 1970 e 1980, através de óleos, desenhos, pinturas, serigrafias e livros/objetos.
Ildeu Braúna diz que a arte de Ray Colares é uma experiência permanente. “Ela lida com a vida, o movimento, a velocidade, com formas e cores que derivam da vida. Colares, por ironia, viveu pouco, mas intensamente”.
Conheça melhor a trajetória de Ray
Raimundo Felicíssimo Colares, nasceu em 1944 em Grão Mogol e faleceu em 1986. Estudou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, frequentou o ateliê livre de Ivan Serpa, no MAM-RJ. Em 1968, começou a produzir gibis, explorando cores e dobras do papel. Em 1969, apresenta os primeiros trabalhos tridimensionais utilizando alumínio pintado e passa a lecionar no ateliê do MAM. Viaja por Nova Iorque, Trento e Milão, é premiado internacionalmente e retorna a Montes Claros, onde fica até 1981.
Posteriormente, passa a residir em Teresópolis e tem sua produção destacada em galerias do Rio, quando foi considerado um dos jovens pintores mais representativos da arte brasileira. Depois dessa fase, volta a Montes Claros e por vontade própria recolhe-se a um sanatório, onde acaba falecendo, vítima de incêndio em seu leito, provocado por uma bituca de cigarro.
A paixão de Ray Colares sem limites pela liberdade de expressão artística o levou a exprimir em telas as infinitas possibilidades de imagens coloridas extraídas das fachadas laterais de ônibus, apoderando-se, de forma ampla e poética, da chamada linguagem pop, em eloquente iconografia humana. Além da abertura da coletiva “Tempos Modernos”, com arte que remonta, livremente, a obra de Ray, se seguirá a projeção do vídeo “Colares”, do cineastra carioca Wladymir Bernardes, premiado na China.